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Em 15 de Junho de 2020

“Este Brasil é o país das “encrencas”. Não se conhece no mundo nação mais cheia de atrapalhações do que nesta. Todo o ano aparece uma e elas se somam sem que qualquer seja resolvida.”
Lima Barreto

STF jamais se sujeitará, diz Toffoli após ataque à corte

Presidente do Supremo vê atos antidemocráticos estimulados pelo ‘próprio Estado’

  • Folha de S.Paulo – 15 Jun 2020
  • Renato Onofre, Marcelo Rocha e Ricardo Della Coletta presidente do STF, em nota

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, afirmou ontem que a corte “jamais” se sujeitará a nenhum tipo de ameaça, “seja velada, indireta ou direta”. A manifestação ocorreu após grupo lançar fogos de artifício contra o prédio da instituição no sábado (13).

Toffoli declarou em nota que o ato “simboliza um ataque a todas as instituições democraticamente constituídas”. “Financiadas ilegalmente, essas atitudes têm sido reiteradas e estimuladas por uma minoria da população e por integrantes do próprio Estado”, escreveu.

A referência ao governo é endereçada a Abraham Weintraub. Ontem, o ministro da Educação se reuniu com bolsonaristas de acampamento na Esplanada, desmontado pela polícia no sábado, e voltou a falar de “vagabundos” —como já chamou os ministros.

Em resposta a um pedido de Toffoli, a Procuradoria Geral da República instaurou no final da noite investigação preliminar sobre o ataque ao Supremo.

“O Supremo jamais se sujeitará, como não se sujeitou em toda a sua história, a nenhum tipo de ameaça, seja velada, indireta ou direta e continuará cumprindo a sua missão. Guardião da Constituição, o Supremo Tribunal Federal repudia tais condutas e se socorrerá de todos os remédios, constitucional e legalmente postos, para sua defesa, de seus ministros e da democracia brasileira

BRASÍLIA – A procuradoria-geral da República instaurou investigação preliminar a respeito do ato da noite de sábado (13) em que manifestantes atiraram fogos de artifício em direção ao prédio do STF (Supremo Tribunal Federal), simulando um bombardeio.

A PGR respondeu a um pedido do presidente da corte, Dias Toffoli.

Em ofícios ao diretor-geral da PF, Rolando Alexandre de Souza, e ao secretário de Segurança Pública do DF, Anderson Torres, Toffoli exigiu a responsabilização penal dos manifestantes.

O presidente da corte aponta Renan da Silva Sena como um dos autores do ataque. Ele aparece em vídeos divulgados nas redes narrando a ação do manifestantes e atacando membros do STF.

Em 1º de maio, Renan Sena agrediu enfermeiras que protestavam contra o governo em Brasília. O bolsonarista era funcionário terceirizado do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos e foi exonerado.

Neste domingo, antes mesmo dos ofícios de Toffoli, Renan foi preso pela Polícia Civil do Distrito Federal acusado de fazer ameaças contra a integridade física do governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB).

O procurador João Paulo Lordelo, que assina a portaria que instaura a investigação preliminar, lembrou que em 5 de maio já havia encaminhado ao Ministério Público Federal no DF um memorando em que indicava que Renan havia praticado crimes por ter agredido verbalmente profissionais de saúde.

Lordelo, que assessora o procurador-geral Augusto Aras para temas de matéria penal, ainda pede informações ao MPF-DF sobre investigações conduzidas a respeito dos atos de sábado e determina que as informações sejam encaminhadas ao viceprocurador-geral Humberto Jacques para que ele inclua o caso no âmbito de inquérito que investiga atos antidemocráticos.

Em nota neste domingo (14), Toffoli afirmou que a corte “jamais” se sujeitará a nenhum tipo de ameaça “seja velada, indireta ou direta”.

“O Supremo jamais se sujeitará, como não se sujeitou em toda a sua história, a nenhum tipo de ameaça, seja velada, indireta ou direta e continuará cumprindo a sua missão”, afirmou Toffoli, em nota divulgada por sua assessoria.

No texto, o presidente da corte ainda diz que o ato “simboliza um ataque a todas as instituições democraticamente constituídas. Financiadas ilegalmente, essas atitudes têm sido reiteradas e estimuladas por uma minoria da população e por integrantes do próprio Estado, apesar da tentativa de diálogo que o Supremo Tribunal Federal tenta estabelecer com todos, Poderes, instituições e sociedade civil, em prol do progresso da nação brasileira”.

A referência a integrantes do governo é endereçada ao ministro da Educação, Abraham Weintraub. Neste domingo, ele se reuniu com manifestantes bolsonaristas que integravam o 300 do Brasil, grupo armado de extrema direita acampado na Esplanada dos Ministérios, que foi desmontado pela polícia no sábado.

Em conversa divulgada nas redes sociais entre os ativistas e o ministro, ele diz: “Já falei a minha opinião, o que faria com esses vagabundos”, ao comentar o inconformismo de um dos interlocutores sobre pagamento de impostos para os “corruptos” roubarem. O grupo reage com aplausos e frases como “Weintraub tem razão”.

Weintraub não cita o STF, mas membros da Corte avaliaram que as palavras reforçaram os ataques feitos pelo ministro da Educação ao STF durante reunião ministerial do dia 22 de abril. Na ocasião, Weintraub afirmou que, se dependesse dele, colocaria “esses vagabundos todos na cadeia”, começando no STF.

A ida do ministro da Educação ao acampamento irritou Toffoli. Por meio de interlocutores da ala militar, o presidente do Supremo fez questão de mostrar ao Planalto a sua insatisfação com a postura de Weintraub, que compareceu à invasão considerada até ilegal pelo governo do DF.

A reação do presidente do STF, de acordo com assessor de Bolsonaro ligado à ala moderada do governo, aumentou a pressão pela saída do ministro da Educação. De maneira reservada, ele avalia que a permanência de Wientraub se tronou “insustentável” e que sua manutenção à frente da pasta traz um desgaste desnecessário ao presidente da República.

Na nota divulgada neste domingo, o presidente do Supremo afirma ainda que a Corte é “guardião da Constituição” e que usará “de todos os remédios, constitucional e legalmente postos, para sua defesa, de seus Ministros e da democracia brasileira”.

O ministro Alexandre de Moraes, que conduz as investigações sobre os ataques à Corte, também reagiu ao episódio de sábado.

“O STF jamais se curvará ante agressões covardes de verdadeiras organizações criminosas financiadas por grupos antidemocráticos que desrespeitam a Constituição Federal, a Democracia e o Estado de Direito. A lei será rigorosamente aplicada e a Justiça prevalecerá”, afirmou o ministro numa rede social.

O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e ministro do STF, Luís Roberto Barroso, também criticou a ação.

“Há no Brasil, hoje, alguns guetos pré-iluministas. Irrelevantes na quantidade de integrantes e na qualidade das manifestações. Mas isso não torna menos grave a sua atuação. Instituições e pessoas de bem devem dar limites a esses grupos. Há diferença entre militância e bandidagem”, afirmou pelas redes sociais.

Dias Toffoli

O ministro Gilmar Mendes também condenou os atos. “O ódio e as ameaças do vídeo são lamentáveis. A incitação à violência desafia os limites da liberdade de expressão”, afirmou.

No final do domingo, o ministro-chefe da Secretaria Geral de Governo, Jorge de Oliveira Francisco, também divulgou nota condenando a ação.

“Ataque ao STF ou a qualquer instituição de Estado é contrário à nossa democracia, prejudica nosso país, e deve ser repudiado. Atitudes e pensamentos individuais não são mais importantes que nossos ideais.”

Após a nota de Toffoli, o ministro da Justiça, André Mendonça, afirmou que vivemos “em tempos difíceis” e que “todos devemos fazer uma autocrítica”. Sem condenar os ataques ao Supremo, disse que é necessário respeitar a vontade das urnas.

“A democracia pressupõe, acima de tudo, que todo poder emana do povo. Por isso, todas as instituições devem respeitá-lo. Devemos respeitar a vontade das urnas e o voto popular. Devemos agir por este povo, compreendê-lo e ver sua crítica e manifestação com humildade. Na democracia, a voz popular é soberana. A democracia pressupõe o respeito às suas instituições democráticas. Qualquer ação relacionada à Presidência da República, ao Congresso Nacional, ao STF ou qualquer instituição de Estado deve pautar-se por esse respeito”, afirmou Mendonça.

“Todos devemos fazer uma autocrítica. Não há espaço para vaidades. O momento é de união. O Brasil e seu povo devem estar em primeiro lugar”, completou.

Neste domingo, ex-presidentes também prestaram solidariedade ao STF. “A agressão física à Suprema Corte revela o desconhecimento de suas elevadas funções como um dos principais garantes da democracia integrada, como é, por juristas do maior porte e forjados na ideia de rigoroso cumprimento da Constituição Federal”, declarou Michel Temer (MDB).

José Sarney (MDB) também publicou uma declaração “contra inqualificável e criminosa agressão ao STF, guardião da Constituição, integrado por magistrados de altas virtudes culturais e morais”.

No Twitter, Fernando Henrique Cardoso escreveu: “Minha solidariedade ao STF é total. Os fogos vistos no YouTube e a voz tremebunda atacando-o são contra a democracia. Gritemos: não ao golpismo! Os militares são cidadãos: devem obediência à Constituição como todos nós. Defendamos juntos Brasil, povo e lei, antes que seja tarde”.

No vídeo dos fogos no sábado, um homem profere insultos e menciona nomes de ministros: Cármen Lúcia, Rosa Weber, Ricardo Lewandovsky Gilmar Mendes e do próprio presidente do STF.

O homem faz ameaças dizendo aos ministros: “Se preparem, Supremo dos bandidos, aqui é o povo que manda”. Segundo a Polícia Militar do DF, um grupo de aproximadamente 30 pessoas realizou um culto na praça dos Três Poderes e encerrou a cerimônia com fogos de artifício. Os militares não impediram os ataques ao prédio.

Toffoli telefonou ao governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), para reclamar dos ataques, o que teria motivado a queda do número 2 da PM.

O governador exonerou o coronel Sérgio Luiz Ferreira de Souza do cargo de subcomandante-geral da Polícia Militar do DF. Souza estava respondendo pelo comando da corporação —o titular, coronel Julian Rocha Pontes, está hospitalizado por causa do coronavírus.

Neste domingo, a Folha mostrou que integrantes do STF e do TSE reagiram com preocupação à nota divulgada por Jair Bolsonaro na noite de sexta-feira (12).

Após o ministro Luiz Fux ter publicado decisão ressaltando que as Forças Armadas não são poder moderador da República, Bolsonaro divulgou comunicado, também assinado por Mourão e pelo ministro da Defesa, Fernando Azevedo, ambos generais da reserva, afirmando que as Forças Armadas “não cumprem decisões absurdas”.

Os ministros avaliam que o governo se preocupa com julgamento da chapa presidencial no TSE. Magistrados afirmam, reservadamente, tratarse de mais uma tentativa de intimidação, mas dizem não ver uma ameaça no documento.

STF e governo do DF suspeitam de inação da Polícia Militar

São Paulo –  Ministros do Supremo Tribunal Federal e integrantes do governo do Distrito Federal trabalham com a hipótese de o ataque simbólico de manifestantes contra a corte na noite de sábado (13) ter sido facilitado pela Polícia Militar em conluio com o Palácio do Planalto.

De tão séria, a conexão ainda está sendo tratada com o máximo de reserva. O Ministério Público Federal abriu uma investigação sigilosa sobre o ataque, nominalmente de autoria do grupo armado de extrema direita 300 do Brasil, que havia sido desalojado de seu acampamento na Esplanada dos Ministérios na manhã do sábado.

O grupo defende o governo Jair Bolsonaro e prega intervenção militar contra o Supremo e o Congresso. Sua líder, Sara Winter, pseudônimo tirado de uma notória espiã britânica nazista, já disse que há armas entre os militantes.

Neste domingo, Bolsonaro não participou de atos antidemocráticos. Já seu ministro da Educação, Abraham Weintraub, esteve na Esplanada no domingo pela manhã com manifestantes golpistas —sem máscara, contra a lei local, e contra o veto a atos naquele ponto, determinado sábado pelo governador Ibaneis Rocha (MDB).

Chamou a atenção de todos os observadores do episódio a inação policial durante a instalação dos fogos de artifício na praça dos Três Poderes, que foram lançados com impropérios em direção ao prédio do Supremo.

Segundo informações que chegaram ao Supremo, a falta de reação policial pode ter sido combinada com pessoas da área de inteligência do governo. A Folha procurou o GSI (Gabinete de Segurança Institucional), responsável pelo setor, para comentar o caso, mas não houve resposta.

Um dos envolvidos na ação, Renan Silva Sena, foi preso também durante a tarde. Membros do governo distrital se dividem ao comentar o caso, dado que a relação entre a comunidade de inteligência federal e a PM local não é considerada por alguns como das mais azeitadas.

Seja como for, no Supremo a situação sugere uma degeneração. Se não foi conluio, tudo indica uma inação espontânea, que joga lenha na fogueira de temores de infiltração do bolsonarismo nas forças policiais.

Provocação não falta. No sábado, o filho presidencial Eduardo Bolsonaro, deputado pelo PSL-SP, visitou manifestantes do 300 do Brasil e postou em redes sociais críticas à ação da PM que retirou o acampamento da agremiação na Esplanada.

Já seu irmão Carlos, vereador pelo Republicanos do Rio, chamou o ministro Gilmar Mendes (STF) de “doente mental” por ter criticado a sugestão feita pelo presidente de invasão de hospitais para filmar supostos leitos vazios —ele acredita que governadores inflam dados da Covid-19 para prejudicá-lo.

A tensão institucional vem se acumulando nas últimas semanas. Na sexta (12), o presidente divulgou nota em que dizia que as Forças Armadas não respeitariam “ordens absurdas” ou “julgamentos políticos”, uma referência indireta às decisões que contrariam Bolsonaro no Supremo e à ação que pede a cassação de sua chapa com Hamilton Mourão em 2018.

O vice-presidente, general da reserva, assinou a nota com o chefe e o ministro da Defesa, Fernando Azevedo. Comoa Folha mostrou, o tom intimidador causou repúdio no Supremo e entre militares da ativa.

A reação por ora é institucional. Mas há poucas dúvidas, entre os togados, de que os eventos do fim de semana dificultaram o caminho para acomodações que se insinuavam nas últimas semanas com o Executivo.

Mourão diz que democracia está em pleno funcionamento no Brasil: ‘Não vejo hoje ameaça’

Em entrevista a veículos internacionais, incluindo HuffPost, vice-presidente minimizou ataques do governo à imprensa e comparou à situação da Venezuela, onde há “jornalistas atacados na rua, ameaçados de morte, cercados por multidões armadas”.

Por Débora Àlvares

Vice-presidente Hamilton Mourão

No momento em que o Judiciário precisou intervir para que a população tenha acesso a dados públicos do coronavírus, durante a maior crise sanitária do País, o vice-presidente Hamilton Mourão assegura que todas as instituições funcionam de forma independente. “Não tenho a mínima dúvida de que estamos em pleno funcionamento da democracia. Não vejo hoje no País ameaça”, defende.

A frase foi dita pelo general a 4 jornalistas de veículos internacionais, incluindo o HuffPost, em uma videoconferência nesta quarta-feira (10), na qual ele respondeu a duas perguntas enviadas previamente por cada repórter. Em menos de 25 minutos, o vice-presidente utilizou inúmeras vezes a palavra “retórica”. O termo tem sido recorrentemente usado por ele para minimizar tudo o que se refere às declarações e aos atos recentes de seu único superior, o presidente Jair Bolsonaro, e justificar a escalada autoritária vivenciada no Brasil. 

“Os atos que ocorreram pedindo a intervenção militar ou ataques a instituições como o STF (Supremo Tribunal Federal) têm uma repercussão muito pequena e reduzida. São muito mais palavras, retórica do que ações específicas contra instituições”, justificou. 

Em 19 de abril, Bolsonaro esteve em uma dessas manifestações, que ocorreu em frente ao QG do Exército em Brasília. Após esse evento, virou um hábito do mandatário comparecer aos domingos em atos que apoiam seu governo — em todos, havia faixas com pedidos de fechamento do STF, do Congresso e até defesa do AI-5, o mais sangrento período da ditadura militar. 

Para o vice-presidente, mesmo essas manifestações que, como mesmo afirmou, “não são propriamente democráticas”, “fazem parte do sistema”, simplesmente por permanecerem na “no terreno das palavras”. 

“Em relação às outras manifestações que em tese apoiam o governo do presidente Bolsonaro ou algumas bandeiras e palavras de ordem, que não são propriamente democráticas, fazem parte do sistema, uma vez que permaneçam única e exclusivamente no terreno das palavras”, disse. “Se partirem para ação, tipo: agressão a ministro do STF, a parlamentares, depredação de cedes do STF ou do Congresso, aí essa turma tem que ser conduzida pelas varas da lei.”

Ao ser questionado nesta quarta sobre os ataques constantes do governo à imprensa no Brasil, Mourão afirmou que viveu na Venezuela, um país onde ele disse ter visto “a democracia ser destruída”. “Jornalistas atacados na rua, ameaçados de morte, cercados por multidões armadas”, descreveu, para minimizar as perseguições de Bolsonaro a jornalistas. “Da mesma forma como a imprensa tem o papel de fazer críticas, quem sofre tem papel de rebater essas críticas.” 

Desde 25 de maio, o Grupo Globo, a Folha de S. Paulo, o Estadão, a TV Band, e alguns outros veículos deixaram de cobrir as coletivas de imprensa que Bolsonaro concede na entrada do Palácio da Alvorada por falta de segurança. São recorrentes ataques de apoiadores do presidente aos jornalistas.

Para a entrevista de Mourão, a assessoria pediu que as perguntas fossem enviadas com antecedência e elas foram lidas para o vice-presidente por assessores. Os repórteres não tiveram direito a fazer réplica. Além do HuffPost, participaram da videoconferência jornalistas do El País, DW e Agência Lusa de Portugal.

EVARISTO SA via Getty Images | Mourão e Bolsonaro em ato no Planalto

Governo militarizado

Procurado com frequência pelos comandantes das Forças Armadas, preocupados em ver a instituição ligada ao que vem sendo considerado “desmandos” no governo, o vice-presidente faz questão de botar panos quentes. 

Questionado pelo HuffPost a respeito de como fica a imagem das Forças com um general do Exército no comando do Ministério da Saúde, em meio a uma pandemia, ante o aumento diário das mortes e a omissão de dados, Mourão disse que o sistema de saúde tem sua gestão própria, sem comando militar. “As Forças Armadas não estão gerenciando isso [combate à covid-19], apesar de terem um militar como ministro interino da Saúde. As Forças Armadas têm consciência muito clara da sua missão constitucional, de defesa da Pátria, de garantia dos poderes constitucionais, e, por iniciativa de qualquer um deles, de Garantia da Lei e da Ordem.”

O general Eduardo Pazuello assumiu o Ministério da Saúde no lugar do oncologista Nelson Teich em 15 de maio. Antes disso, porém, já era ele quem dava as cartas por lá. Foi este, inclusive, um dos motivos que levou o ex-ministro ao pedido de demissão. 

Assim que tomou posse, Pazuello implementou prontamente uma das principais exigências do chefe: a flexibilização do protocolo no uso da cloroquina ainda no início de pacientes com covid-19. A eficácia, porém, quase um mês após as mudanças, não está comprovada. Hamilton Mourão tenta desvincular a imagem das Forças da crise sanitária e diz que “não há ameaça” ao papel delas, que “continuam a gozarem de elevada avaliação por parte do conjunto da sociedade brasileira”.

Ricardo Morais | Reuters Mourão e o Ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva.

‘Tiro custa caro’

De novo usando o argumento de “retórica” para minimizar falas de Bolsonaro, Hamiltou Mourão disse que não é uma “cultura do povo brasileiro” a utilização de armas.

Na reunião interministerial do dia 22 de abril, cuja gravação foi liberada pelo ministro Celso de Mello no âmbito das investigações de acusações de Sergio Moro sobre suposta interferência presidencial na Polícia Federal, Jair Bolsonaro foi enfático ao falar em “armar a população”.

“Quem anda armado no Brasil? Andam armados caçadores, colecionadores, pessoal das forças de segurança, alguns fanáticos por armas e a marginalidade”, destacou o vice-presidente nesta quarta. “O grosso da população não anda armada, não tem anseio de andar armada, até porque arma custa caro. Tiro custa caro.”

Mourão diz que se tem comparado a fala de Bolsonaro com o que houve no chavismo venezuelano, quando se contou com apoio de grupos armados para implementar um golpe contra o sistema democrático. Entretanto, ele diz que são situações “muito distintas”. “Tem havido muita confusão no sentido de armar milícias no sentido da Venezuela. Lá foram armadas pelo governo, e não no sentido de cidadão ir comprar arma. Já eram grupos marginais e foram usados pelo governo venezuelano como instrumento de pressão.”

Via Getty Images

Bolsonaro e Mourão até 2022? 

Além da investigação das fake news, no âmbito do STF, que já afetou o entorno do presidente – e há indícios de que pode chegar até mesmo a seus filhos -, o Palácio do Planalto se vê em xeque ainda na Justiça Eleitoral. 

Nesta terça (9), o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) retomou o julgamento de duas ações que pedem a cassação da chapa Bolsonaro-Mourão, mas houve um pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes. 

Questionado a respeito, Mourão disse que ele e Bolsonaro têm “plenas condições” de chegar a 2022 e, até, de se reelegerem.

O vice-presidente ainda avaliou as ações no TSE como uma tentativa de quem não venceu nas urnas de chegar ao poder. 

“Tem sido comum aqueles que perderam entrarem com algum tipo de argumentação na Justiça. Nosso País é aquele onde tudo é judicializado, e essa turma está na Justiça buscando vencer, uma vez que não venceram nas urnas”, afirmou na videoconferência. 

É o ministro Alexandre de Moraes quem, no STF, conduz o inquérito das fake news. O Ministério Público Eleitoral já se manifestou favoravelmente à incorporação das provas dessa investigação no julgamento das ações em curso no TSE. 

Ainda não há, contudo, uma definição por parte dos ministros. Na retomada do julgamento, nesta terça, apenas dois ministros se manifestaram nesse quesito: Og Fernandes, que foi contrário, e Edson Fachin, a favor da incorporação de novas provas. 

O julgamento das ações de cassação em questão, apresentadas pela Rede e pelo PSol, teve início em novembro do ano passado, mas foi paralisado pelo pedido de vista do ministro Edson Fachin. Na ocasião, o ministro relator, Og Fernandes, manifestou-se contra a procedência dos pedidos, que analisam se a chapa se beneficiou de ataques, em rede social, a um grupo de mulheres contrárias a Bolsonaro. 

Há ainda em tramitação no TSE outras 6 ações pedindo a cassação da chapa presidencial vencedora na eleição de 2018. Quatro delas apuram a possibilidade de disparos em massa pelo WhatsApp durante a campanha. 

Situação atual do Brasil é uma preocupação crescente, diz OMS

O sistema de saúde público do país é uma das preocupações da organização, que pontuou que 90% do sistema de cuidado intensivo está ocupado

Reuters

12/06/2020 – 14h06

Sistema de saúde do Brasil já está praticamente saturado

Raphael Alves / EFE – 20.05.2020

A situação atual do Brasil, agora um dos epicentros mundiais do novo coronavírus, é uma preocupação crescente, principalmente nas cidades, afirmou Mike Ryan, chefe do programa de emergências da OMS (Organização Mundial da Saúde).

O sistema de saúde do Brasil “ainda está suportando”, embora algumas UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) estejam em um estágio crítico e sob forte pressão, com mais de 90% de taxas de ocupação do sistema de cuidado intensivo, disse Ryan em entrevista coletiva.

A OMS também pontuou nesta sexta-feira (12) que as vacinas para o novo coronavírus deveriam ser disponibilizadas como um bem público global, como forma de garantir que todos tenham acesso justo a quaisquer produtos essenciais que sejam desenvolvidos.

“Muitos líderes têm promovido a ideia de tornar qualquer vacina um bem público global, e isso deve continuar sendo fomentado”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

“Mais líderes devem se juntar ao barco, e precisamos ter um compromisso político verdadeiramente global e um consenso mundial antes mesmo de termos o produto”, disse ele. “É isso que estamos pressionando.”

As declarações de Tedros ocorrem depois de surgirem preocupações de que alguns países, incluindo os Estados Unidos, poderiam acumular vacinas ou medicamentos que desenvolvam para combater a covid-19, com os países mais pobres não tendo acesso aos tratamentos dos quais precisam.

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