Pressclipping

em 06 de Julho de 2020

“Podemos nos ver nas reações que provocamos no outro.”
Beto Acioli

MPF: Serra recebeu ao menos R$ 4,5 mi em propina em conta no exterior

Senador foi denunciado pela operação Lava Jato na manhã de sexta-feira (03/07) por lavagem de dinheiro

BRASIL – Giuliana Saringer, do R7

Senador José Serra foi alvo da PF nesta sexta-feira :

O MPF (Ministério Público Federal) diz que o esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o senador José Serra teria três camadas e que o parlamentar teria recebido, ao menos, R$ 4,5 milhões em propina da Odebrecht entre 2006 e 2007. 

A PF (Polícia Federal) fez uma operação na casa de Serra, em São Paulo, depois de o parlamentar ter sido denunciado por lavagem de dinheiro pela força-tarefa da Lava Jato de São Paulo.  

PSDB sai em defesa de Serra e diz ‘confiar na história do senador’

“Especificamente, JOSÉ SERRA praticou, entre outros, três crimes de lavagem de ativos por ter participado, de forma consciente e voluntária, da primeira (por meio do uso da CIRCLE TECHNICAL, de JOSÉ AMARO), da segunda (por meio do uso da DORTMUND INTERNATIONAL) e da terceira camadas de ocultação e dissimulação (por meio de transferências para a FICUS CAPITAL e para a CITADEL FINANCIAL ADVISORY)”, diz a denúncia. 

Primeira camada

Serra teria solicitado R$ 4,5 milhões à empreiteira e os valores deveriam ser pagos por meio da offshore chamada Circle Technical Company Inc. De acordo com a denúncia, a empresa era controlada por José Amaro, amigo de Serra. 

“Vê-se, portanto, que uma grande gama de pagamentos, feitos pela ODEBRECHT à CIRCLE em curto período e de modo fracionado, embora estivessem vinculados nos sistemas de contabilidade da empreiteira a “VIZINHO”, codinome de JOSÉ SERRA, e tivessem sido feitos por sua solicitação e em seu favor, tiveram de fato, como destinatário imediato, a pessoa de JOSÉ AMARO RAMOS. E neste diapasão, por envolverem valores de natureza espúria, relacionada a crimes de corrupção (notadamente a passiva, na modalidade solicitar) e de cartel, e por visarem a ocultá-la e a dissimulá-la, nada mais foram que atos de lavagem de ativos”, diz denúncia. 

Segunda camada

Nesta fase, o MPF diz que os valores recebido pela empresa Circle da Odebrecht foram pulverizados e que, “embora os valores respectivos tenham sido movimentados pelo sistema financeiro, eles seguiam sob controle de José Amaro”. 

Algumas das transferências foram realizadas à offshore Dortmund, que, segundo o MPF, é controlada pela filha de José Serra, Verônica Allende Serra. 

“Assim, ao JOSÉ AMARO RAMOS realizar, a partir de contas suas, transferências vultosas em favor da DORTMUND, entre 2006 e 2007, o que se praticava eram atos de ocultação e dissimulação da natureza espúria dos valores que recebera da ODEBRECHT no período, assim, s eus reais destinatários: JOSÉ SERRA e sua filha VERÔNICA SERRA”, diz denúncia do MPF. 

Segundo o texto, a offshore Dortmund serviu como uma segunda camada de lavagem de dinheiro, permitindo o recebimento de “936.000,00 euros, oriundos de três empresas de JOSÉ AMARO RAMOS, que, por sua vez, foi beneficiado, no período, por valores transferidos a partir de offshores controladas pela ODEBRECHT”. 

Segundo a denúncia, o dinheiro era transferido de uma offshore da companhia para outra de José Amaro, amigo de Serra. 

Terceira camada

Segundo o MPF, a Dortmund enviou ao Banco Arner um pedido de transferência U$ 25.000,00 à Ficus Capital, empresa atuante no mercado financeiro internacional, com Francisco Ravecca como um dos sócios. 

O MPF diz que “assim, parte dos valores – oriundos da ODEBRECHT – que ingressaram na conta da DORTMUND por meio de transferências realizadas a partir de contas de JOSÉ AMARO foram remetidos a FRANCISCO RAVECCA”.

A denúncia aponta que, em 2014, a Dortmund liquidou os valores existentes na conta. “Dessa forma, valores transferidos a JOSÉ AMARO RAMOS, pela ODEBRECHT, por solicitação de JOSÉ SERRA e tendo este como beneficiário final, foram remetidos, a partir de diversas operações, ao controle de VERÔNICA SERRA, filha do referido agente político, sendo, ao fim, liquidados para outras contas, em uma terceira camada de dispersão patrimonial, integrante, a toda evidência, de uma cadeia de lavagem de ativos”, diz a denúncia. 

Leia a nota da defesa de Serra

“Causa estranheza e indignação a ação deflagrada pela Força Tarefa da Lava Jato de São Paulo na manhã desta sexta-feira (3) em endereços ligados ao senador José Serra. Em meio à pandemia da Covid-19, em uma ação completamente desarrazoada, a operação realizou busca e apreensão com base em fatos antigos e prescritos e após denúncia já feita, o que comprova falta de urgência e de lastro probatório da Acusação. 

É lamentável que medidas invasivas e agressivas como a de hoje sejam feitas sem o respeito à Lei e à decisão já tomada no caso pela Suprema Corte, em movimento ilegal que busca constranger e expor um senador da República.


O Senador José Serra reforça a licitude dos seus atos e a integridade que sempre permeou sua vida pública. Ele mantém sua confiança na Justiça brasileira, esperando que os fatos sejam esclarecidos e as arbitrariedades cometidas devidamente apuradas.

Assessoria de Comunicação
Senador José Serra (PSDB/SP)”

Congresso promulga PEC que adia eleições municipais para novembro

Davi Alcolumbre afirmou, em sessão solene, que decisão é histórica e garante a proteção à vida dos brasileiros e o fortalecimento da democracia

Luis Macedo / Câmara de Deputados

Eleições vão acontecer em 15 e 29 de novembro

O presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (DEM-AP), promulgou nesta quinta-feira (2) a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que adia as eleições municipais de 2020

A votação foi adiada de outubro para novembro devido à pandemia de coronavírus. De acordo com o texto, aprovado no Senado e na Câmara, o primeiro e o segundo turnos eleitorais vão acontecer nos dias 15 e 29 de novembro, respectivamente. 

“Eu gostaria de agradecer a compreensão e a maturidade política da Câmara dos Deputados em acompanhar a votação do Senado da República, uma votação histórica para todos nós”, comemorou Alcolumbre. O presidente do Congresso disse que a decisão garante a proteção da vida dos brasileiros e o fortalecimento da democracia. 

Para Alcolumbre, a postura do presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Luís Roberto Barroso, “respeitosa, institucional e republicana”, foi fundamental para o adiamento das eleições. “Quero registrar ao Brasil, como disse, que a sua decisão [de Barroso] de buscar a conciliação, ouvindo os especialistas na área da saúde, foi fundamental para o convencimento desta Casa”, disse Alcolumbre. 

A PEC, de autoria do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), também estabelece novas datas para outras etapas do processo eleitoral de 2020, como registro de candidaturas e início da propaganda eleitoral gratuita. No entanto, a data de posse dos eleitos continua sendo 1º de janeiro de 2021.

O texto foi aprovado pela Câmara dos Deputados na noite de quarta-feira (1º) e pelo Senado Federal, em 23 de junho

Alguns deputados e senadores participaram do evento virtualmente. A mesa da sessão solene contou com a presença do presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, o primeiro vice-presidente do Congresso, Marcos Pereira (Republicanos-SP), o ministro das Comunicações, Fábio Faria, e a deputada federal e 1ª Secretária da Mesa do Congresso Nacional, Soraya Santos (PL-RJ), além de Alcolumbre. 

Luis Macedo / Câmara de Deputados

Marcos Pereira participou de sessão solene:

Em discurso durante a sessão, Marcos Pereira afirmou que decisão do Congresso Nacional tem como objetivo salvar e preservar vidas e famílias dos brasileiros. 

“Hoje nós promulgamos um documento que representa mais uma vitória do bom senso e da razão. Mais valiosa do que a vida política de uma nação é a própria vida dessa nação”, afirmou. 

Segundo Alcolumbre, foram produzidos cinco exemplares da emenda, destinados à Presidência da República, ao Senado Federal, à Câmara dos Deputados, ao Arquivo Nacional e ao STF (Supremo Tribunal Federal).

Barroso celebra o diálogo

Barroso afirmou que a promulgação da emenda é “algo que nós desejávamos que não tivesse acontecido”, já que é reflexo da pandemia do coronavírus. Para o presidente do TSE, o diálogo que houve entre o Tribunal e o Congresso Nacional foi muito importante para o adiamento das eleições.  

“Eu celebro o diálogo institucional que fomos capazes de estabelecer. Significa um pouco que com boa vontade, boa fé e o interesse público, quase tudo é possível nessa vida”, afirmou. Barroso disse que a realização do pleito será uma “missão árdua” ao TSE. 

“Não é uma operação fácil de ser realizada, mas com apoio do Congresso Nacional e da sociedade brasileira, esperamos realizar as eleições mais seguras e limpas que conseguirmos”, finalizou. 

Bolsa tem volume financeiro recorde

Novos investidores são os responsáveis pelo valor médio diário da negociação de ações alcançar R$ 25,9 bilhões

Cuidado. Recorde da B3 mostra necessidade de educação financeira para ‘novatos’, dizem especialistas

Mar calmo faz bom marinheiro? Quem conhece o velho ditado já sabe a resposta. Em meio à pandemia do coronavírus, a Bolsa de Valores movimentou R$ 25,9 bilhões por dia em 2020 no primeiro semestre, no maior valor diário da história do mercado acionário brasileiro. Esse resultado se estende para o volume financeiro total negociado nos seis primeiros meses do ano, que chegou a R$ 3,19 trilhões, equivalente a 84,6% do volume negociado em todo o ano de 2019, de acordo com dados Economática.

O fotógrafo Luiz Claudio Carvalho foi um dos novos investidores que ajudaram a engordar o volume de negociações da B3, em um ano marcado por queda histórica do Ibovespa em março e seis circuit breakers. “Entrei na Bolsa em fevereiro, quando ainda estava naquela alta que se iniciou em 2019”, diz. “Não entendia muito bem e tomei um susto quando começou a cair, mas tive paciência e agora recuperei os prejuízos. E também voltei a comprar ativos.”

De acordo com Caio Fernandez, CEO da Ivest Digital, para explicar esse fenômeno que levou aos recordes financeiros de B3, primeiramente é necessário entender que o volume financeiro aumenta quanto mais investidores fazem compra de ativos. E que operações de venda puxam esse número para baixo.

“Em março, teve toda aquela euforia, muitas pessoas começaram a vender e o volume financeiro caiu”, afirma Fernandez. “Depois, quando tudo passou, as pessoas que já estavam na Bolsa voltaram a comprar ações e novos investidores entraram no mercado.”

O número de pessoas físicas na B3 subiu 15% em março, na comparação mensal, totalizando 2,24 milhões de investidores naquele momento. De março a junho, esse número já subiu cerca de 18%. Nos dados consolidados do sexto mês de 2020, a B3 anunciou que o País tem atualmente 2,64 milhões de investidores pessoas físicas na Bolsa.

Para Fernandez, além da retomada iniciada depois de março, a taxa de juros de 2,25%, na mínima histórica, teve grande responsabilidade nesse crescimento de novos entrantes. “Os brasileiros começaram a entender que, para ter retornos maiores, teriam que tomar mais risco, ir para a Bolsa, pois a renda fixa não rende mais como antigamente”, diz.

Orientação. Esse foi o caso do empresário Willian Bastos, que começou a comprar ações entre o final de março e o início de abril. “Vi muitos amigos entrando na renda variável e compartilhando dicas. Fiz cursos online gratuitos no site da FGV e acabei começando a investir também”, afirma ele. Hoje, Bastos diz que a carteira dele está positiva e que suas principais aquisições foram no setor de petróleo e frigoríficos.

Apesar do salto no número de CPFS na B3 e, com ele, no volume financeiro negociado, os especialistas ainda reforçam que falta educação financeira de qualidade entre os investidores. “Eu notei um aumento muito grande de perguntas sobre renda variável nas minhas redes sociais”, afirma a educadora financeira Carol Stange. “A maioria ficou assustada com a queda de rendimento da renda fixa.”

A especialista explica que há um movimento nas redes de “educadores caça likes” que anunciam a morte da renda fixa e empurram as pessoas para a renda variável, mesmo que elas não estejam preparadas. “São investidores que não tem uma assessoria e acabam tendo que fazer suas próprias escolhas e se confundindo com essas informações”, diz.

Para Stange, a euforia de ir para a renda variável pode tornar vulneráveis os investidores inexperientes, afinal, a renda fixa é parte importante para a proteção de uma carteira. “Tem o lado bom, claro, que as pessoas estão quebrando paradigmas em relação ao mercado financeiro, mas olho com certa preocupação”, afirma.

Perfil. Em qualquer momento, o investidor deve respeitar o perfil de risco. Esse questionário faz uma análise das características em relação à segurança, liquidez, rentabilidade e objetivo dos investimentos. “O produto de investimento que serve para uma pessoa, pode não servir para a outra”, diz o CEO da Ivest. Se os três primeiros pregões do segundo semestre servirem de indicativo para o restante do ano (volume médio diário de R$ 23,3 bilhões), o recorde deve se renovar.

Pandemia tira emprego dos mais pobres e aumenta poupança dos mais ricos


© NDWA 

Certas ocupações, como das empregadas domésticas, foram particularmente afetadas pelas medidas de isolamento devido ao coronavírus.

Se você está trabalhando de casa durante essa pandemia, é provável que esteja gastando menos com transporte e alimentação fora de casa.

Ao mesmo tempo, milhões de trabalhadores tiveram seus salários reduzidos, ou pior, perderam completamente seus empregos e salários.

A pandemia trouxe uma situação estranha que, segundo economistas, não tem paralelo em recessões anteriores. Ela criou “uma divisão nas finanças domésticas”, diz Neil Shearing, economista-chefe da Capital Economics.

“Uma parte da população sofreu perda de renda ou vive sob ameaça de uma perda iminente de renda, enquanto outra está cheia de dinheiro graças a um aumento grande e involuntário de poupança.”

Economia surpresa

PA Media

Escritórios e bancos permanecem fechados no centro financeiro de Londres, mas muitos funcionários podem trabalhar em casa

Rebecca O’Connor, especialista em finanças pessoais na Royal London e fundadora do site Good With Money, disse à BBC que a realidade financeira das pessoas “está muito diferente agora” e, para alguns, “até economizar uma pequena quantia parecerá quase impossível”.

No entanto, profissionais como ela se beneficiaram de uma queda “considerável” nos gastos.

Sem ter de pagar gasolina para levar crianças para a escola ou viajar duas horas em transporte público, ela economiza US$ 450 (R$ 2,4 mil) por mês.

Ela acredita que não comprar cafés na rua, não sair para beber após o trabalho ou almoçar fora de casa representa uma economia de mais cerca de US$ 100 por mês, o equivalente a R$ 540.

A lista continua e inclui economias em guloseimas e passeios aos fins de semana.

Realidades contrastantes

Reuters

Profissionais que conseguem trabalhar em casa têm gastado menos

Mas casos como o dela não são raros. Algumas pessoas que foram surpreendidas pelas medidas de isolamento no Reino Unido disseram que gastarão o dinheiro com coisas com as quais sonham, como um casamento extravagante ou uma longa viagem pela Ásia.

Em uma análise em todo o Reino Unido, a Resolution Foundation constatou que uma em cada três famílias de alta renda viu suas economias aumentarem, enquanto uma em cada cinco as viu caírem.

Entre as famílias de baixa renda, por outro lado, apenas 10% dizem que suas economias aumentaram, em comparação com 29% que dizem que estão em baixa.

As famílias com maior probabilidade de poder trabalhar em casa estão provavelmente entre as mais bem pagas e, portanto, podem economizar dinheiro.

Enquanto isso, 20% das famílias de baixa e média renda dizem que aumentaram suas dívidas durante a pandemia, contando com soluções caras, como cartões de crédito e cheque especial.

EPA

Trabalhadores da área de hospitalidade foram gravemente afetados; este café foi reaberto com medidas de distanciamento social que limitam o número de clientes

No entanto, O’Connor alerta que ter dinheiro de sobra não deve levar os consumidores a gastar, já que as incertezas ainda pairam sobre a economia global.

“A melhor coisa a fazer com dinheiro extra diante da incerteza é deixá-lo em algum lugar facilmente acessível e criar uma reserva”, aconselha ela.

Impacto da crise

AFP

As medidas de isolamento tiveram um impacto direto nos empregos, atingindo mais fortemente os trabalhadores de baixa renda

“A natureza desta crise é muito diferente das crises financeiras anteriores que vimos, porque o impacto no mercado de trabalho é muito direto”, disse à BBC Steven Kapsos, pesquisador da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Enquanto setores inteiros da economia foram paralisados, outras categorias de trabalhadores foram menos afetadas. Segundo a OIT, os empregos no varejo, manufatura, imóveis, hospitalidade e alimentação foram os mais impactados pelas restrições.

“Os trabalhadores desses setores e do setor informal não são capazes de realizar as atividades que estavam realizando antes das restrições”, afirmou Kapsos.

A perda de horas de trabalho soma mais de 300 milhões de empregos em período integral, segundo a OIT. O maior declínio nas horas de trabalho está sendo sentido nas Américas e na Ásia Central (cerca de 13% em cada região) e nos países de baixa e média renda.

Mas os trabalhadores mais vulneráveis ​​são 1,6 bilhão de pessoas em empregos informais o que é quase metade da força de trabalho do mundo.

‘Pegas de surpresa’

Lucimara Rodrigues

Lucimara teve que ficar em casa e não pode mais trabalhar há mais de dois meses

Lucimara Rodrigues faz parte desse grupo. A brasileira de 35 anos trabalha como faxineira na região de Boston, nos Estados Unidos, para onde se mudou há 16 anos.

Rodrigues disse à BBC que recebia entre US$ 3.500 e US$ 4.000 por mês trabalhando para famílias de alta renda, o que representa cerca de R$ 20 mi. Com o confinamento, no entanto, ela teve que parar de trabalhar por completo.

“Nós [faxineiras] fomos pegas de surpresa”, disse ela. “Nunca tive uma situação em que tivesse que ficar em casa sem trabalhar por mais de dois meses”.

O marido de Rodrigues é um construtor cujo trabalho também parou durante a pandemia. O casal tem dois filhos, de 6 e 14 anos.

Ela diz que alguns de seus empregadores mostraram “boa vontade” e continuaram a pagá-la, mesmo que ela não pudesse aparecer para trabalhar.

A família reduziu as compras de alimentos e está economizando combustível, mas ela diz que suas reservas estão acabando.

‘Deixados à própria sorte’

EPA

Há 1,6 bilhão de trabalhadores em risco no setor informal, segundo a OIT, o que é quase metade da força de trabalho do mundo

Trabalhadores domésticos nos EUA, principalmente imigrantes negros e latinos, são um exemplo de trabalhadores que foram “deixados à própria sorte” durante a pandemia, diz Haeyoung Yoon, diretora de políticas da National Domestic Workers Alliance (NDWA), organização que promove os direitos dos trabalhadores domésticos.

A organização financiou uma linha que concede US$ 400 em assistência humanitária a 10 mil pessoas afetadas pela pandemia.

Os trabalhadores domésticos geralmente não têm garantias ou benefícios como licença remunerada, licença médica ou seguro de saúde.

Em uma pesquisa recente, 70% dos trabalhadores domésticos negros entrevistados disseram que perderam o emprego ou tiveram seus salários reduzidos devido ao confinamento. Dois terços dizem que temem ser despejados ou ter serviços cortados devido à falta de pagamento.

No entanto, muitos não conseguiram acesso ao pacote de ajuda de US$ 2 bilhões do governo de Donald Trump, que foi aprovado em março, devido a todas as exclusões feitas a imigrantes e trabalhadores sem documentos.

“Eles dizem que o vírus não discrimina, mas os tomadores de decisão do país optaram por discriminar com base em imigração, raça e gênero”, disse Yoon à BBC.

Aumento da desigualdade

Getty Images

FMI alerta para a necessidade de políticas inclusivas durante a recuperação econômica para evitar um aumento nos já altos níveis de desigualdade

O impacto econômico da covid-19 pode levar 100 milhões de pessoas à pobreza extrema em todo o mundo, segundo o Banco Mundial.

E o Fundo Monetário Internacional (FMI) está alertando para a necessidade de políticas inclusivas durante a recuperação econômica para evitar um aumento nos já altos níveis de desigualdade.

Os governos já gastaram US$ 10 bilhões em medidas para apoiar a economia, mas o FMI diz que precisamos de “esforços extras” para proteger os pobres, incluindo o aumento da ajuda alimentar e da distribuição de renda.

Por enquanto, Rodrigues diz que “não está se desesperando”. Ela está usando dinheiro de uma reserva para ajudar sua mãe a pagar por tratamento médico no Brasil. Mas essas economias “estão indo rápido” e Rodrigues diz que não tem ideia de quando poderá retomar seu trabalho e salário.

“Tenho amigos que economizaram e me disseram que o dinheiro também está acabando”, diz ela. “Como tudo isso vai acabar? Eu digo: eu não sei.”

Máscara feita de TNT é a que mais protege sem sufocar

Testes feitos pela USP a pedido do mostram que modelo mais caro nem sempre é o melhor

Agora

Não é o preço ou a espessura do material com que é feita que indicam se a máscara é segura ou não. Testes realizados a pedido do

pelo Instituto de Física e pela Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo) apontaram que as máscaras com maior equilíbrio entre filtragem de partículas e respirabilidade são produzidas em TNT e não pesam no bolso.

Uma máscara comprada em um pacote de três por R$ 4,99, numa loja do Brás (região central), garantiu 82,1% de proteção e uma excelente respirabilidade, o que assegura o conforto para quem usa. Não é grossa e nem cara, como uma de neoprene vendida por R$ 5 a unidade na porta da estação Brás da CPTM, que embora ofereça quase o mesmo nível de proteção, sufoca quem usa.

Em comparação com as de TNT, as máscaras comuns de algodão, laváveis, mostraram uma capacidade de filtragem mais baixa e deixaram a desejar também na respirabilidade. Já uma máscara profissional, como a PFF 1 (com válvula), oferece muita segurança, mas é difícil permanecer com ela por muito tempo, por causa da sensação de sufocamento (veja no quadro ao lado).

Professor do Instituto de Física, Paulo Artaxo afirma que uma boa máscara deve ter a capacidade de filtragem superior a 80%. Diz também que, embora descartáveis, máscaras de TNT podem ser lavadas até três vezes, no máximo. “Não devem ser lavadas muitas vezes, porque perdem a eficiência”, explica.

O professor da USP faz uma ressalva e diz que, muitas vezes, a pessoa não tem uma máscara de TNT à mão ou para comprar. Nesses casos, é importante usar outra, mesmo que de um material diferente, como algodão ou outro tecido.

Embora as máscaras sejam um equipamento de proteção eficiente, Artaxo lembra que o distanciamento social ainda é a melhor forma de evitar o coronavírus. “Tem que ser usada sempre que sair de casa, mas as pessoas devem ir para a rua o menor número de vezes possível”, explica.

Riscos

Especialista do Instituto de Física da USP, Fernando Morais explica que uma máscara pouco respirável pode até trazer riscos. “Uma sacolinha de supermercado, por exemplo, não vai deixar passar nada, mas você não respira, então não adianta”, explica. “Quando é pouco respirável, você puxa, mete a mão na máscara e acaba levando o vírus até o boca.”

Morais é adepto das máscaras com três camadas de TNT. “São leves, respiráveis e têm clipe que não deixa embaçar os óculos.”

O ideal é que o equipamento não dificulte tanto a respiração, mas há situações de alto risco em que isso não é possível. Em uma UTI, por exemplo, vale mais a filtragem elevada do que a boa respirabilidade.

O dilema que o auxílio emergencial criou ao governo

O governo vive um dilema trazido pelo Auxílio Emergencial de R$ 600, prorrogado na terça-feira (30) por mais dois meses.

De um lado, há o ganho político e de popularidade do governo, em especial entre as pessoas beneficiadas pela ajuda criada para quem perdeu renda durante a pandemia do novo coronavírus.

Pesquisas mostram que a aprovação do governo cresceu entre o extrato da população que recebe a ajuda. No Nordeste, região do país onde Bolsonaro não teve a maioria dos votos em 2018, sua aprovação teve crescimento acima de 10%.

O efeito auxílio emergencial vai além de quem recebe: comerciantes, prefeitos e até governadores reconhecem que os recursos distribuídos aos mais vulneráveis são um alívio para a iminente recessão econômica.

Em abril, mês em que a ajuda começou a ser paga, integrante da equipe econômica relatava ao blog efeitos percebidos da injeção de recursos em cidades onde boa parte da população recebia Bolsa Família. De uma média de R$ 190 de benefício, os valores saltaram para R$ 600 e até R$ 1,2 mil, no caso de mães chefe de família.

Uma preocupação com a inflação de alimentos já estava no radar de economistas – apesar de o Brasil registrar dois meses seguidos de deflação, o preço dos alimentos acumula alta de 3,7% no ano, segundo o IBGE. Este indicador pesa em especial para as famílias mais pobres, que tem boa parte de sua renda comprometida com alimentação.

Do outro lado da moeda está a pressão populista e política pela manutenção de um auxílio tão amplo e com impacto grande nos cofres públicos.

Enquanto o Bolsa Família custa R$ 30 bilhões ao ano, cada mês do auxílio emergencial tem impacto de R$ 50 bilhões ao caixa do Tesouro Nacional, segundo estimativas da Instituição Fiscal Independente do Senado.

É de esperar que a oposição peça mais um ano de auxílio emergencial de R$ 600, sem dizer de onde sairiam os recursos. O problema é o populismo germinar entre integrantes do governo.

Os gastos do governo, tanto o déficit que se repete há seis anos quanto os valores extras para fazer frente à pandemia em 2020, são financiados com aumento de dívida pública.

A dívida vinha em trajetória de controle, mas explodiu neste ano e deve ultrapassar os 90% do PIB – percentual altíssimo para um país emergente.

Se o governo começar a ter dificuldade em financiar uma dívida explosiva, aumento de juros e a volta da inflação serão consequências inevitáveis que chegarão rápido. Mais uma vez, a parcela mais pobre e vulnerável da população seria a maior penalizada.

Por isso, a equipe econômica corre para negociar com o Congresso Nacional um novo plano de renda mínima, com valores maiores que os do Bolsa Família e mais abrangente.

A negociação será dura, porque outros programas de benefícios terão que ser unificados. Aumentar os gastos sem tirar de outras áreas seria obrigar os brasileiros a aceitarem um aumento de impostos – o custo do Estado hoje já é de uma carga de impostos de quase 40%.

A pandemia mudou as prioridades nacionais e já deixa mais de 60 mil vidas perdidas. Que ela possa ao menos levar a uma discussão séria, sem populismos, sobre como reforçar a rede de proteção às pessoas desassistidas sem jogar fora as conquistas na estabilidade econômica dos últimos anos.

Ana Flor – Jornalista, comentarista da GloboNews. Acompanha as notícias de Economia e os bastidores do poder em Brasília

Entenda o que é um ciclone bomba e os estragos por ele provocados

Segundo meteorologistas, fenômeno extratropical é comum nesta época do ano, mas veio com um diferencial: a queda brusca de pressão

Ciclone bomba trouxe ventania, chuvas e queda de árvores no sul do país

Reprodução

Ciclones são comuns nesta época do ano e são chamados de extratropical. O fenômeno que atinge a região sul do país e já provocou ao menos dez mortes ganhou o nome de “ciclone bomba”. A meteorologista do Tempo Agora, Doris Santos Palma, explica que a expressão se deve à queda drástica de pressão. 

O ciclone nada mais é do que um intenso sistema de baixa pressão atmosférica. O fenômeno está associado a uma frente fria e provoca temporal, ventania, queda de árvores e baixa na temperatura. 

Apesar de ser comum a formação de ciclone, desta vez, houve um diferencial: “Essa queda intensa e brusca de pressão não é comum. Fez com que a pressão caísse rapidamente 24 hectopascal. Quando o ciclone se formou ontem, veio com forte chuva e ventos de 90 km/h. Isso provoca queda de árvores, destelhamento de casas e o mar fica agitado”, explicou Doris.

Para se ter uma ideia do potencial de estragos provocados na região sul do Brasil, em Clevelândia, no Paraná, as rajadas de vento foram de 120 km/h e, em Curitiba, de 111 km/h.

O monitoramento do ciclone é constante e, segundo os meteorologistas, a queda de pressão costuma ocorrer em 24 horas. “Agora ele está se afastando para o oceano e, por estar associado à frente fria, vai chegar ao sudeste do país com menor intensidade, ainda assim com ventos que podem chegar a 100 km/h em São Paulo”, afirmou a meteorologista.

É possível prever a formação de um ciclone, por isso cabe aos órgãos responsáveis, como a Defesa Civil, emitir alertas à população sobre a ocorrência de fortes temporais e ventos. O objetivo é prevenir a ocorrência de tragédias, como mortes.

Com a continuidade dos ventos, é preciso atenção porque as estruturas já estão danificadas e podem ocorrer novos acidentes com vítimas.

O ciclone avança agora para a região sudeste, mas está perdendo intensidade. “Em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, os efeitos não vão se comparar aos do sul. Mas a ventania continua intensa, o litoral terá mar agitado e, em São Paulo, vai ter mais chuva e queda de temperatura”, garantiu a meteorologista.

A Marinha também emitiu um alerta de ressaca do mar desde o Rio Grande do Sul até o Rio de Janeiro. 

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