Boletim Departamento Pessoal – Recursos Humanos

em 30 de Junho de 2020

Eu me interesso pelo futuro porque é lá que passarei o resto de minha vida.” (C. F. Kettering)

STJ Confirma Limite Máximo De 20 Salários Mínimos Como Base De Cálculo Das Contribuições Sociais Devidas A Terceiros

Em recente decisão proferida em 17/03/2020, no REsp 1.570.980, a 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça decidiu pela limitação da base de cálculo das contribuições de terceiros arrecadadas pela Receita Federal em vinte salários mínimos, consolidando posição já assumida desde 2008 (REsp 953.742/SC, Relator: Min. José Delgado)

As contribuições para outras entidades e fundos classificam-se como Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico ? CIDEs ? parafiscais, incidentes sobre a folha de salários, sendo que os valores arrecadados pela Receita Federal são repassados ao INCRA e às entidades do Sistema ?S?. As alíquotas dessas contribuições são variáveis conforme o CNAE do empregador e representam, em média, 5,8% sobre o valor integral da folha de salários mensal, conforme disciplinado pela IN RFB nº 971/2009, Art. 57, I e II, sem observância de qualquer limitação.

Definiu o STJ que o limite de 20 salários mínimos previsto no art. 4º, § único da Lei 6950/1981 para fins de determinação da base cálculo das contribuições parafiscais arrecadadas pela Receita Federal por conta de terceiros não foi revogado pelo art. 3º do Dec.Lei 2318/1986, eis que o mesmo disciplinou exclusivamente sobre a abolição do referido limite para fins do cálculo das contribuições sociais incidentes sobre a folha de salário pagas pelas empresas diretamente à previdência social.

Esta decisão representa importantíssimo precedente para as empresas que estejam em Juízo ou pretendam acionar o Poder Judiciário para limitar a base de cálculo das contribuições de terceiros recolhidas mensalmente à Receita Federal do Brasil (Salário-educação, INCRA, SEBRAE, SENAI, SESI, SENAC, SESC, SEST, SENAT, SESCOOP ao valor máximo de 20 salários mínimos, em relação aos fatos geradores vindouros, bem como para recuperar os valores recolhidos nos últimos 5 anos, através de restituição em dinheiro ou compensação com contribuições da mesma natureza.

Fontes: Citadas no texto e Artigo no site Janir Moreira e Advogados Associados

Covid-19 tira 1,4 milhão do mercado de trabalho por motivo de doença

Também foi apontado que 25,7 milhões de pessoas estavam fora da força de trabalho, mas gostariam de trabalhar

Quando Alcides da Silva, de 52 anos, começou a sentir dores e uma febre alta, ficou desesperado. Três vizinhos em Guaianazes, periferia de São Paulo, haviam morrido após contrair o novo coronavírus e, de uma hora para outra, o peso do desemprego que ele carrega há mais de um ano se somou ao medo do coronavírus. “Imagine ver as contas chegando e não poder procurar trabalho. É como olhar para os lados e não ver saída.”

O auxiliar de limpeza viu suas chances de voltar ao mercado de trabalho ficarem ainda mais distantes quando o primeiro teste de covid-19 que fez deu inconclusivo. Ele precisa ficar em isolamento e tomando remédios. “Minha rotina virou ir ao médico. E quando se chega a uma certa idade, fica cada vez mais difícil trabalhar. Recebi duas cestas básicas de um movimento que faz ocupações para quem não tem casa. Todo mundo se ajuda, mas o dia seguinte preocupa.”

Silva faz parte de um contingente que cresceu muito com o avanço da covid-19: o de pessoas que se tornaram indisponíveis para trabalhar, sobretudo por terem ficado doentes ou tiveram de cuidar de alguém doente. Segundo um levantamento de Marcel Balassiano, pesquisador do Ibre/FGV, com base nos dados da Pnad Contínua, o número de brasileiros que estavam desempregados, mas ficaram impedidos de buscar trabalho por problemas pessoais – sobretudo por estarem doentes – saltou de 3,3 milhões no trimestre até fevereiro para 4,7 milhões até abril. São cerca de 1,4 milhão de pessoas, um aumento de 45%.

Essa alta é bem maior que a do número de desalentados, aqueles que deixaram de procurar trabalho por acharem que não iriam encontrar uma nova colocação, que cresceu 7% no mesmo período. O número inclui pessoas que não estavam disponíveis por conta de estudos ou mulheres que ficaram grávidas. Mas a alta expressiva aponta que a saúde foi o item que mais pesou no aumento.

E a avaliação de Balassiano é que esse quadro pode ficar ainda pior. “O País já estava em uma situação muito ruim, que o novo coronavírus só agravou. A dívida pública vai para 90% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto se tenta achar saídas para minimizar a crise de saúde. O mercado de trabalho tende a piorar”, diz.

Em maio, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) fez, em parceria com o Ministério da Saúde, uma pesquisa específica, a Pnad Covid-19. Como as amostras e os períodos são diferentes, não é possível comparar a Pnad Covid com a Pnad Contínua, mas os números de maio revelam detalhes dos efeitos da pandemia.

Eles apontam, por exemplo, que 25,7 milhões de pessoas estavam fora da força de trabalho, mas gostariam de trabalhar. Além disso, 17,7 milhões de trabalhadores não puderam procurar emprego por causa da pandemia ou não acharam uma vaga na região em que moram. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

FGTS: CAIXA publica versão 14 do Manual de Movimentação da Conta Vinculada

Foi publicada pela CAIXA  a versão 14 do Manual de Movimentação da Conta Vinculada FGTS que disciplina a movimentação das contas vinculadas do FGTS pelos trabalhadores, diretores não empregados, respectivos dependentes, e empregadores, que passa a contemplar:

Regras e procedimentos de movimentação da conta vinculada por motivo de saque-aniversário quando o trabalhador oferecer os direitos futuros aos saques anuais como garantia de crédito em qualquer instituição financeira, na condição de cessão/alienação fiduciária de que trata o 3º do artigo 20-D da Lei 8.036/1990, regulamentada pela Resolução do Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço nº 958, de 24.04.2020.

O Manual de Movimentação da Conta Vinculada FGTS, versão 14, está disponível no endereço eletrônico: http://www.caixa.gov.br/site/paginas/downloads.aspx, pasta FGTS Manuais e Cartilhas Operacionais.

Circular CAIXA nº 915, de 24/06/2020, publicada no DOU em 26/06/2020.

Gilmar suspende ações trabalhistas que discutem correção monetária

Por Tábata Viapiana

Por vislumbrar a presença do fumus boni iuris e do periculum in mora, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal,  concedeu liminar para suspender o julgamento de todos os processos em curso na Justiça do Trabalho que discutam o índice de correção a incidir sobre débitos trabalhistas resultantes de condenação judicial— a Taxa Referencial (TR) ou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo Especial (IPCA-E).

Esses processos envolvem a aplicação dos artigos 879, parágrafo 7º, e 899, parágrafo 4º, da CLT, com a redação dada pela reforma trabalhista (Lei 13.467/2017), e do artigo 39, caput e parágrafo 1º, da lei de desindexação da Economia (Lei 8.177/91). Os dispositivos, em suma, preveem que deve ser usada a TR.

Rosinei Coutinho/SCO/STF

Gilmar suspende julgamentos sobre correção monetária na Justiça do Trabalho

A decisão de Gilmar Mendes foi tomada em sede de uma ação declaratória de constitucionalidade (ADC 58). Ela foi proposta pela Confederação Nacional do Sistema Financeiro (Consif), com o objetivo de ver declarada a constitucionalidade dos dispositivos mencionados. A Consif sustenta que as normas regulamentam a atualização dos débitos trabalhistas, em especial decorrentes de condenações judiciais, de forma a atender às necessidades da relação laboral e em conformidade com as disposições constitucionais.

A associação reiterou o pedido de liminar, diante da dificuldade de julgamento colegiado em curto prazo no STF, e enfatizou o “grave quadro de insegurança jurídica”, com perspectiva de agravamento em vista do posicionamento adotado pelo Tribunal Superior do Trabalho que, sistematicamente, tem afastado a aplicação dos dispositivos objetos da ação, determinando a substituição da TR pelo IPCA como índice de atualização dos débitos trabalhistas.

TST
O pedido foi reiterado novamente em 22/6, em razão da formação de maioria no pleno do TST pela declaração de inconstitucionalidade da TR na correção de dívidas trabalhistas. A Corte trabalhista analisaria o tema nesta segunda-feira (29/6).

Com a exclusão da ação do calendário de julgamento do STF e com a proximidade do recesso, a confederação afirma que o periculum in mora se tornou ainda mais grave. A liminar foi deferida pelo relator, ministro Gilmar Mendes.

Segundo ele, julgamentos recentes do STF de sua relatoria demonstram a presença do fumus boni iuris. “As decisões da Justiça do Trabalho que afastam a aplicação dos artigos 879 e 899 da CLT, com a redação dada pela Reforma Trabalhista de 2017, além de não se amoldarem às decisões proferidas pelo STF nas ADIs 4.425 e 4.357, tampouco se adequam ao Tema 810 da sistemática de Repercussão Geral, no âmbito do qual se reconheceu a existência de questão constitucional quanto à aplicação da Lei 11.960/09 para correção monetária das condenações contra a Fazenda Pública antes da expedição de precatório”, disse.

Quanto ao periculum in mora, o ministro afirmou que o contexto da crise sanitária, econômica e social relacionadas à epidemia da Covid-19 e o início do julgamento da arguição de inconstitucionalidade no TST demonstram a urgência na concessão da tutela provisória incidental postulada pela confederação. 

“As consequências da pandemia se assemelham a um quadro de guerra e devem ser enfrentadas com desprendimento, altivez e coragem, sob pena de desaguarmos em quadro de convulsão social. Diante da magnitude da crise, a escolha do índice de correção de débitos trabalhistas ganha ainda mais importância. Assim, para a garantia do princípio da segurança jurídica, entendo necessário o deferimento da medida pleiteada, de modo a suspender todos os processos que envolvam a aplicação dos dispositivos legais objeto das ADCs 58 e 59”, concluiu.

A decisão de Gilmar Mendes será oportunamente apreciada pelo Plenário da Corte.

Longa história
O TST decidiu em 2016 que o fator a ser usado em débitos trabalhistas é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo Especial (IPCA-E). Antes, o cálculo era feito pela TR.

A decisão do TST de quatro anos atrás baseou-se em julgados do STF, que declarou a inconstitucionalidade da expressão “equivalentes à TRD”, contida no artigo 39 da Lei da Desindexação da Economia (Lei 8.177/91). Embora os julgados do STF se referissem a casos de precatórios, a corte trabalhista, na ocasião, declarou a inconstitucionalidade “por arrastamento” da incidência de TR sobre débitos trabalhistas.

A reforma trabalhista de 2017 acrescentou novo capítulo à história, pois passou a determinar o uso da TR (no parágrafo 7º do artigo 879 da CLT, por exemplo). No ano passado, mais reviravolta: a MP 905 restabeleceu o IPCA-E. Mas ela foi revogada por outra MP (a 955), de 20/4/20.

Em março deste ano, uma decisão do ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou que o TST deve julgar novamente a questão, pois a corte trabalhista interpretou erroneamente precedentes do Supremo.

Associação vai recorrer
A Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho decidiu recorrer da decisão por meio de embargos declaratórios, requisitando ao ministro que esclareça o alcance da liminar por entender que haverá grande impacto nos processos da Justiça do Trabalho.

Para a presidente da Anamatra, juíza Noemia Porto, a decisão causa forte impacto em toda a seara trabalhista. “A Anamatra, embora respeite a independência funcional do ministro para proferir essa decisão, lamenta o resultado que, na prática, prejudica milhares de trabalhadores que já têm seu crédito reconhecido. E são, justamente, os mais necessitados. Essa é uma decisão que, concretamente, favorece os maiores devedores da Justiça do Trabalho, incluindo os bancos”, disse.

Adotado “no susto”, home office será permanente nos bancos

Jornada remota de funcionários se revelou mais produtiva e econômica. Mauro Ribeiro Neto, vice-presidente do BB: economia de até R$180 milhões por ano em despesas com imóveis – Foto: Gleice Mere

Imposto às pressas pela pandemia de covid-19, o home office veio para ficar nos bancos brasileiros. Há 230 mil funcionários de instituições financeiras trabalhando de casa desde a segunda metade de março, e para uma parcela desse contingente essa será a nova realidade. Os planos ainda estão sendo finalizados, mas já existe a percepção de que, em muitos casos, a jornada remota não é apenas mais econômica como tem sido muito mais produtiva.

No Banco do Brasil (BB), há planos de manter cerca de 10 mil funcionários de áreas administrativas em jornada parcialmente remota, conforme noticiou ontem o Valor PRO, serviço de notícias em tempo real do Valor. Na crise, 32 mil colaboradores têm atuado remotamente.

A ideia é que esse grupo de funcionários, a ser definido com base na percepção do gestor de cada área, trabalhe parte dos dias no escritório e parte em casa. O martelo ainda não foi batido, mas estudos internos apontam uma economia de até R$ 180 milhões por ano em despesas com imóveis – entre aluguel e manutenção – com a implantação de um home office dessa magnitude no BB.

O Bradesco deve concluir em cerca de um mês seus estudos sobre o assunto. Por enquanto, a percepção é a de que entre 30% e 40% do pessoal de áreas administrativas poderá continuar trabalhando de casa e outro grupo de 25% a 30% não precisará ir ao escritório todos os dias, segundo André Cano, vice-presidente executivo que cuida de toda a área de apoio do banco.

Desde as últimas semanas de março, 93% dos funcionários das áreas administrativas do banco e das empresas coligadas, como a seguradora, estão trabalhando de forma remota. Nas agências, há um revezamento, com metade da equipe operando a cada semana. “Já que a gente teve que fazer esse piloto forçado, a conclusão é que há ganhos para a companhia e para os funcionários com o home office”, disse Cano.

Diversas instituições financeiras já vinham, há muito tempo, conduzindo projetos-piloto de home office. Porém, os testes sempre se limitavam a poucas centenas de pessoas. Quando o coronavírus começou a se espalhar pelo país, os bancos se viram forçados a abraçar a causa, e numa escala até então inimaginável. Em duas semanas, colocaram dezenas de milhares de colaboradores para exercer de casa suas funções habituais – inclusive de áreas como atendimento a clientes e segurança da informação.

“O emergencial está nos dando a oportunidade de olhar para dentro de casa e ver onde pode haver ganhos de eficiência”, afirmou Neto, do Banco do Brasil.

O Itaú Unibanco ainda não tem uma estimativa de quantas pessoas poderão ser mantidas em home office, mas a instituição está satisfeita com os resultados que a experiência vem proporcionando. O maior banco do país em ativos está com 53 mil pessoas em jornada remota. Segundo levantamento feito internamente, já respondido por cerca de 16 mil colaboradores, mais de 90% afirmaram que suas atividades podem ser feitas à distância e que poderiam trabalhar de casa, em média, três vezes por semana.

“As reuniões estão mais focadas e o trabalho está mais produtivo, além do benefício de poder passar mais tempo com a família e menos no trânsito”, destacou Sergio Fajerman, diretor-executivo de recursos humanos do Itaú.

De acordo com o executivo, o banco tem dois grupos de funcionários: os que estão trabalhando remotamente e podem continuar assim, e os que precisam atuar de forma presencial, como equipes de agências, vendedores da credenciadora Rede e executivos do atacado que visitam clientes. O pós-pandemia está sendo pensado com essa realidade em vista. Algumas áreas que hoje estão em home office, como parte dos funcionários da corretora e da tesouraria, talvez voltem para o escritório.

No entanto, o Itaú não planeja fazer nenhum movimento de retorno ao trabalho presencial antes do início de setembro. E, segundo Fajerman, nada indica que depois disso a volta será rápida. “Estamos tão bem assim que não temos por que fazer nada”, disse.

No Santander, a possibilidade de home office contínuo está em estudo. A Caixa, por sua vez, não tem planos de trabalho remoto neste momento, mas não descarta adotar um modelo de jornada com um dia em casa, apurou o Valor. O home office para pessoal de tecnologia e áreas de apoio pode vir a ser discutido mais adiante. Já está claro, nos bancos, que a necessidade de espaços físicos será menor e que a disposição deles também será diferente. As estações de trabalho serão mais espaçadas – com o distanciamento imposto pela pandemia – e as áreas de convívio vão ganhar importância. “Refletimos se ter a organização em baias é a melhor forma de trabalho. Acreditamos que não, que os mesões funcionam melhor para a colaboração entre equipes”, disse Glaucimar Peticov, diretora-executiva do Bradesco.

“O escritório vai ser para manter essa liga entre as pessoas”, disse Fajerman, do Itaú.

A crise também pode acelerar o processo já em curso de redução da rede física. Segundo Cano, as transações em agências caíram 70% na pandemia, e é possível que o Bradesco feche mais unidades que as 320 previstas para este ano. Nesse caso, os funcionários serão transferidos para o atendimento digital ou outras áreas, disse.

O trabalho remoto pode levantar questões sobre a segurança das operações. Mas, em nota, o BC afirmou ao Valor que não há necessidade de autorização específica para que os bancos funcionem em home office. “Independentemente da opção pelo home office, as instituições permanecem obrigadas a cumprir as exigências regulamentares e as determinações decorrentes das atividades de fiscalização do BC, que seguem sendo realizadas”, disse. Uma das exigências é que as “instituições mantenham acessíveis os canais de atendimento aos seus clientes”, inclusive presenciais.

 Fonte: Valor Econômico

Empresas aderem ao home office permanente e mudarão escritórios

Companhias aprovam desempenho dos funcionários no teletrabalho durante quarentena. Forma de trabalho é moldada com pandemia de novo coronavírus

A quarentena adotada em grande parte do Brasil em razão da pandemia da Covid-19 forçou empresas de diferentes segmentos a mandarem seus funcionários para casa, onde eles passaram a trabalhar no regime de home office. E agora, vendo que deu certo, elas decidiram manter esse esquema total ou parcialmente mesmo com a perspectiva do fim do período de isolamento.

Essa migração na rotina de trabalho será adotada por multinacionais como a Ambev, Johnson & Johnson, LafargeHolcim, do setor de materiais de construção, e de forma ampla por empresas da área de TI, caso da Topdesk.

Cada uma terá sua própria estratégia, mas, de forma geral, a ideia será permitir o home office na maior parte do tempo para trabalhadores de departamentos administrativos, como jurídico, financeiro, RH e comunicação, entre outros. O trabalho presencial ocorrerá em alguns dias por semana, com o foco em reuniões e interação para melhorar o entrosamento dos times.

Segundo Tiago Krommendijk, diretor de operações da Topdesk no Brasil, a empresa passou a repensar o paradigma de que para obter sucesso era necessário que os colaboradores estivessem juntos presencialmente todos os dias. Desde 13 de março em trabalho remoto, a empresa tirou do papel 15 projetos, mais do que no ano passado, quando o home office ainda era esporádico. A área de atendimento reduziu em 45% o tempo de espera de chamados.

O diretor credita essa melhora à redução dos tempos de deslocamentos, que consomem horas do dia e energia em uma cidade como São Paulo. E também ao maior foco do trabalho em casa.

A adaptação exigiu uma adaptação rápida. Foram providenciados computadores para parte dos 60 funcionários que não trabalhavam com notebooks, além de chips de telefone e nova conexão de internet, em alguns casos. Além disso, uma van foi alugada para levar cadeiras aos colaboradores para evitar que eles tivessem que trabalhar de forma improvisada usando os móveis de casa.

Segundo Krommendijk, a expectativa no retorno é que os colaboradores possam ter mais liberdade ao decidir onde irão trabalhar, mas comparecendo alguns dias ao escritório.

“Ainda achamos a interação importante. Por mais que as pessoas estejam sendo produtivas, elas sentem falta de interagir, a empresa é uma grande família. Mas eles também vêm valor na produtividade. Então, faz sentido as pessoas poderem trabalhar juntas se for para um brainstorming (reunião de ideias), por exemplo, para fazerem um almoço divertido. Se for um trabalho que exige foco, ficar em casa, em vez de em um ambiente barulhento, poderá ser mais produtivo”, afirma. “Esse vínculo é importante para ter a confiança de trabalhar à distância com o resto da equipe”, conclui.

Expansão

Em algumas empresas, o teletrabalho já vinha se expandindo e a quarentena acelerou o processo. É o caso da LafargeHolcim, multinacional suíça que fabrica materiais de construção, onde os funcionários da área administrativa já passavam um ou dois dias por semana em casa. Agora, a expectativa é que eles fiquem pelo menos três, segundo a diretora de recursos humanos, Juliana Andrigueto.

Em uma das sedes da empresa, a do Rio de Janeiro, as mudanças serão mais radicais. A empresa vai entregar o escritório, e os 150 funcionários passarão a trabalhar em casa. A medida vai gerar uma economia de R$ 2 milhões anuais com aluguel. Os outros dois escritórios no Brasil, em Minas e São Paulo, serão mantidos. “Tomamos essas decisões porque vimos que o home office estava funcionando bem”, afirma Andrigueto.

Segundo a diretora de RH, no “novo normal” os escritórios terão uma nova cara, com um layout para facilitar as interações e reuniões. “Vai ser menos o conceito de ‘eu tenho a minha baia de trabalho’ e mais o conceito de sentar onde quiser”, afirma.

Nesse processo de adaptação, a empresa vem realizando com os colaboradores palestras virtuais, com temas como alimentação saudável, saúde mental e os desafios de trabalhar em home office. Foi criado ainda um guia do teletrabalho. Andrigueto afirma que a empresa é flexível quanto ao ambiente doméstico e que se adapta a situações como a necessidade de um funcionário cuidar do filho em determinado horário do dia, o que é comum na quarentena, com as escolas fechadas.

Mais trabalho em casa

De acordo com Renato Fonseca, gerente de pesquisa e competitividade da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o home office vem crescendo em diversos setores da indústria com a pandemia. Pesquisa divulgada em maio mostrou que 77% das empresas tinham pelo menos 10% de funcionários em home office, entre 1.017 empresas ouvidas.

Fonseca afirma que será necessária uma adaptação da legislação trabalhista para regular essa nova realidade. Os contratos precisarão deixar clara a possibilidade do teletrabalho, em vez de um local fixo, entre outras coisas. “Vai ter que se definir questões sobre como ficam horas extras, como fica o registro do ponto. Se não, há o risco de isso caminhar para um grande número de processos judiciais”, afirma.

Adepto do home office, Fonseca opina que um cuidado necessário é evitar que o funcionário trabalhe o dia inteiro. “Ao contrário do que alguns pensam, no home office você acaba trabalhando mais do que no escritório”, afirma.

Analisando o mercado, ele prevê um impacto no setor hoteleiro e de viagens em razão dessa migração para o home office. “Uma viagem bate-volta para uma reunião hoje acaba tomando metade do dia, um dia inteiro…Com as reuniões virtuais isso muda, e a produtividade aumenta”, afirma.

Tecnologia

A Johnson & Johnson também afirma que pretende evoluir no processo de ampliação do home office que já vinha sendo adotado pela empresa. Segundo Betina Lackner, diretora de RH no Brasil, grande parte dos funcionários da empresa está trabalhando de casa desde o dia 16 de março.

Foram implantadas em larga escala ferramentas digitais que garantiram a continuidade dos trabalhos de visitação a clientes e profissionais de saúde. Segundo Lackner, houve engajamento efetivo de todas as equipes. “Chegamos a ter reuniões virtuais com mais de mil colaboradores participando. Aceleramos a transformação digital que já estava em curso”, diz.

A Ambev é outra multinacional a projetar mudanças. De acordo com Camila Tabet, diretora de Desenvolvimento de Gente, foi feita uma pesquisa com os funcionários, e a grande maioria, cerca de 90%, acredita em uma solução que combine o trabalho remoto e presencial. A nova rotina será construída em conjunto com os trabalhadores, explica.

A empresa planeja uma reforma em seus locais de trabalho para destinar menos espaço para as estações de trabalho e mais para as áreas de interação. “No entanto, nesse período inicial do retorno, o uso de espaços como café e salas de reunião estará suspenso, para evitar aglomerações.”

A Ambev, assim como a Johnson & Johnson, Topdesk e a LafargeHolcim, afirma que, além de conversar com os colaboradores para definir as melhores rotinas de trabalho para o futuro, acompanha também as manifestações das autoridades para que o retorno aos escritórios se dê de forma segura, seguindo os protocolos sanitários.

Fonte: Correio do Povo

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

* Copy This Password *

* Type Or Paste Password Here *

Responda a questão abaixo *

Join the mailing list

Check your email and confirm the subscription

Visit Us On TwitterVisit Us On FacebookVisit Us On YoutubeVisit Us On LinkedinVisit Us On InstagramCheck Our Feed